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Estreito de Ormuz volta ao centro do risco global: o que empresas brasileiras devem revisar agora

Foto do escritor: Jean Chen
Jean Chen
29 de jul.
4 min de leitura

Novas sanções contra seguradoras e navios, ataques na região e forte alta do petróleo reforçam riscos logísticos, financeiros e contratuais para empresas com operações internacionais.



Introdução


O Estreito de Ormuz voltou a concentrar alguns dos principais riscos do comércio mundial. Em 29 de julho de 2026, os Estados Unidos anunciaram novas sanções relacionadas ao Irã, atingindo empresas, navios e organizações apresentadas como prestadoras de serviços de seguro marítimo.

No mesmo dia, os preços internacionais do petróleo subiram aproximadamente 7%, refletindo a escalada militar, o baixo fluxo de navios pela região e o receio de novas interrupções no fornecimento.

Para empresas brasileiras, o impacto não se limita à compra de petróleo. Uma crise marítima pode afetar fretes, prazos, rotas, disponibilidade de navios, custos de produção, capital de giro e cumprimento de contratos.



O que aconteceu


O Office of Foreign Assets Control, órgão do Tesouro dos Estados Unidos, sancionou duas organizações que, segundo o governo norte-americano, participavam de uma estrutura para obrigar embarcações a adquirir supostas coberturas marítimas para atravessar Ormuz.

Também foram incluídas nas sanções oito embarcações e companhias relacionadas ao transporte de petróleo e derivados iranianos. O Tesouro alertou que pessoas e instituições financeiras estrangeiras também podem ficar expostas a sanções ao realizar determinadas operações com entidades bloqueadas.

Paralelamente, o Brent encerrou o dia em US$ 90,74 por barril, alta de 7,91%. A Reuters informou que o tráfego pelo estreito continuava reduzido e que o mercado passou a precificar novamente o risco de restrição da oferta.



O que isso significa para as empresas brasileiras


Uma empresa brasileira pode ser afetada mesmo sem comprar diretamente do Irã.

Uma indústria que importe produtos petroquímicos da Ásia, por exemplo, pode enfrentar:

  • alteração emergencial da rota marítima;

  • cobrança adicional de risco de guerra;

  • suspensão de escala em determinados portos;

  • atraso na entrega de matérias-primas;

  • aumento do custo de combustível e frete;

  • necessidade de comprar insumos no mercado spot;

  • penalidades por atraso em contratos com clientes;

  • maior necessidade de capital de giro.

Exportadores também podem sofrer com indisponibilidade de embarcações, elevação do frete e deterioração financeira de compradores localizados em regiões atingidas.



Quais riscos podem surgir


  • Financeiros: aumento de combustível, frete, estoque de segurança e necessidade de financiamento.

  • Jurídicos: discussões sobre força maior, hardship, sanções, impossibilidade de cumprimento e responsabilidade por atrasos.

  • Operacionais: paralisação por falta de matéria-prima ou componente crítico.

  • Logísticos: mudança de rota, transbordo, armazenagem adicional e concentração de cargas em portos alternativos.

  • Crédito: dificuldade financeira de compradores, distribuidores e fornecedores.

  • Ambientais: acidentes envolvendo petróleo, produtos químicos ou cargas perigosas.

  • Continuidade: interrupção da produção sem que exista dano físico nas instalações da empresa brasileira.



Como os seguros podem ajudar


O Seguro de Transportes pode proteger as mercadorias contra riscos cobertos durante o trânsito. Entretanto, guerras, hostilidades, apreensão, sanções e determinadas regiões podem estar excluídas ou depender de cobertura específica.

O Seguro de Crédito pode reduzir a exposição à inadimplência de compradores, inclusive em carteiras de exportação, observados território, risco político, sanções e condições da apólice.

O Property com Lucros Cessantes pode responder quando a interrupção decorre de dano físico coberto. A simples elevação de preço, a falta de matéria-prima ou o atraso de um navio geralmente não são suficientes sem um gatilho previsto.

Coberturas de Lucros Cessantes Contingentes podem ser relevantes quando a empresa depende de fornecedores ou clientes críticos, mas é necessário examinar eventos cobertos, localização, identificação dos parceiros e sublimites.

O Seguro Ambiental pode ser considerado por operadores, transportadores e empresas que armazenem ou movimentem produtos potencialmente poluentes.

Programas internacionais também podem coordenar apólices locais, cláusulas de sanções, limites, territórios e exigências contratuais.



Recomendações para gestores


  1. Mapear fornecedores, portos e rotas direta ou indiretamente expostos ao Golfo e ao Mar Vermelho.

  2. Verificar se embarcações, armadores, operadores e instituições financeiras aparecem em listas de sanções.

  3. Revisar cláusulas de força maior, sanções, alteração de rota e reajuste de preços.

  4. Confirmar a existência e o alcance das coberturas de guerra, greves, apreensão e desvio de rota.

  5. Calcular quantos dias de produção o estoque atual sustenta.

  6. Identificar fornecedores alternativos previamente homologados.

  7. Verificar se o seguro de crédito contempla compradores e territórios relevantes.

  8. Comunicar à seguradora ou corretora qualquer alteração material de risco.



Conclusão


Crises marítimas demonstram que continuidade de negócios não depende apenas da segurança das instalações da empresa. Ela também depende da resiliência de fornecedores, rotas, navios, bancos e parceiros comerciais.

Empresas que mapeiam essas interdependências antecipadamente conseguem negociar melhor, preservar caixa e reagir antes que o problema se transforme em paralisação.

A Fideseg pode apoiar empresas na revisão integrada de riscos de transporte, crédito, continuidade e programas internacionais.



FAQ


O Seguro de Transportes cobre guerra?

Não necessariamente. A cobertura pode estar excluída, ser contratada separadamente ou ficar sujeita a cancelamento e aviso especial para determinadas regiões.



A sanção contra um navio pode impedir o pagamento de uma indenização?Pode. Cláusulas de sanções normalmente impedem seguradoras de conceder cobertura ou efetuar pagamentos que violem normas aplicáveis.



Lucros Cessantes cobre atraso de matéria-prima?Em regra, depende da ocorrência de dano físico coberto e da estrutura da apólice. A falta de insumo isoladamente pode não ser suficiente.

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