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Natural One pode buscar investidor: o que operações de M&A ensinam sobre gestão de riscos

Foto do escritor: Jean Chen
Jean Chen
31 de jul.
3 min de leitura

A possível entrada de um novo sócio ou venda da companhia brasileira mostra por que riscos operacionais, financeiros e contratuais devem ser analisados antes da assinatura do negócio.




Introdução


A Reuters informou, com base em fontes familiarizadas com o assunto, que a fabricante brasileira de sucos Natural One contratou Nomura e Itaú BBA para avaliar alternativas estratégicas.

Entre as possibilidades estariam a venda de uma participação minoritária ou a venda integral da companhia. A Natural One e os bancos não comentaram a informação, e o processo teria caráter inicial.

Portanto, não se trata de uma transação oficialmente anunciada. Ainda assim, o caso permite compreender como empresas e investidores podem utilizar seguros na estruturação de M&A.



O que foi reportado


Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, a entrada de um parceiro poderia apoiar a expansão internacional da Natural One, que atua no Brasil e na América do Norte.

As mesmas fontes estimaram receita anual superior a US$ 200 milhões, EBITDA acima de US$ 50 milhões e possível valuation entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões. Esses números não foram confirmados pela empresa.



O que isso significa para empresas brasileiras


Em uma aquisição, o comprador não adquire apenas ativos, clientes e capacidade de geração de caixa. Ele também pode herdar:

  • contingências tributárias;

  • ações trabalhistas;

  • passivos ambientais;

  • incidentes cibernéticos anteriores;

  • contratos com obrigações não cumpridas;

  • problemas de propriedade intelectual;

  • riscos de fornecedores;

  • falhas em licenças e autorizações;

  • produtos ou operações com responsabilidade perante terceiros.

O vendedor, por sua vez, pode permanecer responsável por declarações e garantias prestadas no contrato por vários anos.

É nesse contexto que a estrutura de seguros pode colaborar com a transação.



Quais riscos podem surgir


Financeiros: divergência sobre capital de giro, dívida, caixa e desempenho.

Jurídicos: violação de declarações e garantias, contingências e conflitos pós-fechamento.

Operacionais: dependência de fábricas, distribuidores, fornecedores e executivos-chave.

Logísticos: cadeia de frio, transporte e distribuição internacional.

Ambientais: contaminação, descarte, uso de água e licenciamento.

Cibernéticos: vazamento de dados, sistemas legados e integração tecnológica.

Responsabilidade civil: produtos, consumidores e terceiros.

Governança: decisões tomadas durante a negociação ou integração.



Como os seguros podem ajudar


O Warranty & Indemnity, também chamado de seguro de declarações e garantias, pode cobrir determinadas perdas decorrentes da violação de declarações prestadas no contrato de compra e venda.

Ele pode:

  • reduzir a dependência de escrow;

  • facilitar um clean exit;

  • ampliar a proteção disponível ao comprador;

  • ajudar a superar divergências sobre garantias;

  • preservar o relacionamento entre comprador e vendedor.

O seguro não substitui due diligence e não cobre automaticamente riscos conhecidos, projeções futuras ou temas expressamente excluídos.


O D&O deve ser analisado antes da mudança de controle. Em determinadas situações, pode ser necessário contratar cobertura run-off para atos praticados antes do fechamento.

Também devem ser revisados:

  • Property e Lucros Cessantes;

  • Cyber;

  • Ambiental;

  • RC Geral e Produtos;

  • Transportes;

  • Seguro de Crédito;

  • programas internacionais.

A análise prévia permite descobrir se limites, franquias e coberturas são compatíveis com o valor e o perfil da operação.



Recomendações para compradores e vendedores


  1. Envolver o corretor especializado ainda no início do processo.

  2. Avaliar W&I antes de fechar a estrutura do SPA.

  3. Organizar data room de seguros e sinistros.

  4. Verificar mudanças de controle nas apólices.

  5. Avaliar run-off de D&O.

  6. Mapear riscos conhecidos que não entrarão no W&I.

  7. Revisar limites e franquias das apólices operacionais.

  8. Examinar seguros de subsidiárias no exterior.

  9. Definir responsabilidades por sinistros anteriores e posteriores ao closing.

  10. Planejar a integração dos programas de seguros.



Conclusão


O melhor momento para analisar seguros em uma transação não é depois da assinatura. É quando comprador, vendedor e assessores ainda podem ajustar preço, garantias, indenizações e condições de fechamento.

Gestão de riscos bem estruturada reduz incertezas e pode facilitar a própria conclusão do negócio.

A Fideseg atua na estruturação de seguros para M&A, W&I e demais riscos corporativos relacionados à operação.



FAQ


O W&I substitui a due diligence?

Não. A subscrição depende da qualidade e do alcance da due diligence.


Riscos conhecidos são cobertos?

Em regra, riscos conhecidos ou expressamente identificados ficam excluídos e precisam de tratamento específico.


Quando o W&I deve ser avaliado?

Preferencialmente durante a negociação do contrato, antes que a estrutura de garantias esteja definitivamente fechada.

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